domingo, 18 de julho de 2010

I - Um teste à minha capacidade de profundidade

Nunca pensei que eu fosse dar muita bola ao que diz Miguel Falabella. Mas, não é que o ator me conquistou de vez, com uma entrevista concedida ao brilhante repórter James Cimino, que foi publicada na coluna da Mônica Bergamo, na Ilustrada deste domingo (versão para assinantes da Folha ou do Uol aqui). É a mais pura verdade. E eu vou explicar por que: venho me sentindo, nos últimos tempos, intelectualmente raso. Digo mais: ultimamente, tenho achado as minhas reflexões com pouco embasamento e sempre me considero, nos últimos textos que escrevi, abaixo das expectativas.

Não que as palavras de Falabella mereçam ser emolduradas e, assim, colocadas no meu hall de citações-guias. A bem da verdade é até um pouco óbvio o que ele disse. La vai: "A mídia dos 140 caracteres [o Twitter] te tira da concentração de uma leitura mais aprofundada. Essa geração é difícilima. É diferente." E para não fazer como o autor, ator e diretor - que disse que "Agora é tarde. Já tô velho. Inês é morta...", eu mesmo me propus um desafio: 60 minutos de um bom livro por dia.

E como eu vou prestar contas desta maratona diária? Com o que vou escrever agora, acabo de sacramentar minha escravidão na internet - já não bastasse o trabalho e o Bota Dentro - agora, invento que tenho de documentar, mais ou menos diariamente, esses 60 minutos diários de leitura. Muito provavelmente, quem um dia ler o que está escrito aqui vai acreditar que eu sou um desocupado - o que não é muito verdade. Eu só preciso provar para mim mesmo que não sou raso. Se eu vou conseguir, só o tempo irá dizer.

Por enquanto, abro esse inventário com os primeiros registros da leitura iniciada neste domingo: "As Regras do Método Sociológico", clássico de um dos pais da sociologia, Emile Durkheim. Nestes 60 minutos - que foram cronometrados - consegui ler 33 páginas, que englobam apenas o prefácio da obra. Entre as coisas que eu li, separei algumas citações que, por enquanto, ainda não querem dizer muita coisa - afinal, estou começando a obra hoje.

Dessas citações, é possível destacar: "O leitor que se abandona sem resistência às primeiras impressões, corre o risco de formar uma opinião sem nos compreender". "É necessário que, ao penetrar no mundo social, tenha ele (o leitor) consciência de que penetra no desconhecido; é necessário que se sinta em presença de fatos cujas lei são tão desconhecidas quanto o eram as da existência antes da constituição da biologia; é preciso que se mantenha pronto a fazer descobertas que hão de supreendê-lo e desconcertá-lo".

O livro parece abordar o método que a sociologia deve utilizar para estudar o todo das relações em sociedade/grupo. Nesse sentido, destaco outro trecho: "Todas as vezes que, ao se combinarem, e devido à combinação, quaisquer elementos desencadeiam fenômenos novos, não se pode deixar de conceber que estão estão contidos, não nos elementos, mas no todo formado pela referida união (...) A mentalidade dos grupos não é a mesma dos particulares; tem suas próprias leis. Desse modo, sejam quais forem as relações que possam existir entre elas, são ambas as ciências tão nitidamente distintas quanto é possível que o sejam".

A leitura chega ao fim por hoje. Espero nos próximos dias poder elaborar mais sobre o que estou lendo e ver onde talvez possa chegar tudo isso.


2 comentários:

  1. maratona de livro não é a mesma coisa q maratona de filme. um livro não pode ser lido dessa forma cronometrada. é como querer tomar vinho num copo americano ou cerveja com canudinho.
    as vezes apenas um capítulo, bem assimilado seja em 15, 30, 60 ou 120 minutos é tão mais produtivo para dar esse embasamento, não?
    estou escrevendo mto.
    de qq forma, boa sorte!

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  2. PS: Durkeim não pode ser lido assim..de uma sentada..rs

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